sábado, 2 de maio de 2009

XV SALÃO UNAMA DE PEQUENOS FORMATOS - UMA AULA DE POSSIBILIDADES E EXPERIMENTAÇÕES ARTÍSTICAS















































































































XV SALA UNAMA DE PEQUENOS FORMATOS - 2009


O Pará é um estado com grande riqueza cultural e uma produção de causar inveja. Desde 18 de março um de seus espaços culturais, a Galeria de Arte Graça Landeria, abriu suas portas para 104 obras selecionadas das 1.125 inscritas de diversos estados brasileiros na 15ª edição do Salão Unama de Pequenos Formatos. Sob a curadoria de Emanuel Franco, a mostra tem pintura, desenho, gravura, escultura, objeto, fotografia, instalação, vídeo e técnicas mistas, escolhidos por uma comissão composta Por três artistas plásticos. O 15° Salão UNAMA de Pequenos Formatos, já se transformou há muito tempo em um salão de caráter nacional e dessa vez foram 49 artistas selecionados. Em comemoração aos 15 anos de Salão, houve a inauguração de uma sala especial de fotografia denominada “Quinze risonhas primaveras”, onde estavam expostas fotografias feitas pelos artistas Alexandre Lima, Armando Queirós, Elza Lima, Fatinha Silva, Roberto Meneses e Walda Marques, que mostraram vários ensaios fotográficos com jovens de 15 anos em diversos momentos de suas vidas. No mesmo espaço, ficou em exposição uma instalação da artista Lara Borges, fruto de uma pesquisa sobre as mulheres que vivem na periferia de Marabá. “A instalação mostrou um ambiente com materiais utilizados na maquiagem feminina, como blush, rímel e batons. Mas a grande surpresa da instalação estava no fato dos visitantes poderem interagir com os objetos expostos”, avisou Emanuel. Ainda na programação especial, o Salão prestou uma homenagem ao poeta e artista plástico Max Martins, sendo apresentada uma série de desenhos feitos por Max, pertencentes ao acervo Ao todo, a seletiva recebeu 430 inscrições, um recorde de inscritos na história do concurso, porém apenas 49 foram escolhidos nos últimos dias 11 e 12 de fevereiro. 'Ficamos surpresos com a participação de tanta gente nesta edição, principalmente porque chegaram obras não só das capitais brasileiras, mas também de muitos municípios', conta o professor e curador do Salão Unama de Pequenos Formatos, Emanuel Franco.

'Este ano temos representantes de cidades como Arraial D’Ajuda, na Bahia e, Ibirité, de Minas Gerais. Recebemos inscrições de artistas do Oiapoque ao Chuí, do Amapá ao Rio Grande do Sul', comemora. A seleção foi realizada por Leda Catunda, doutora em Artes Plásticas pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo; Armando Sobral, gerente de Artes Visuais do Instituto do Pará, e Luiz Fernando de Carvalho, arquiteto formado pela Gama Filho e colecionador de arte contemporânea.
Apesar de a maioria dos selecionados terem sido de fora do Estado, os paraenses também não deixaram de marcar presença. Para essa edição, o salão recebeu inscrições de municípios como Santarém, Vigia, Parauapebas, Bragança e Marabá, entre outros.familiar do poeta.

'Foi muito difícil escolher as obras, pois recebemos muitos bons trabalhos. Entretanto, estou satisfeito com a seleção', revela. Entre as categorias que irão participar estão desenhos, pinturas, gravuras, esculturas, objetos, fotografias instalações e vídeos. O Salão UNAMA é o único do país que trabalha com o gênero 'pequenos formatos' em mostra para salão, e segundo Emanuel Franco, desde o início do projeto, a idéia sempre foi difundir este tipo de produção e o crescimento a cada ano do número de inscritos é o resultado de que estão cumprindo essa função.

Selecionados - 2009:
Adriana Ramalho; Alexandre Furtado; Altina Felicio; Ana Luísa Flores; Anderson Corrêa de Araujo; André Ricardo; Antonio Pinheiro; Bia Nogueira; Cristina Vilola; Danielle Carcav; Danilo Perillo; Danilo Ribeiro;
Delson Corrêa; Denise A; Elieni Tenório; Elton Lúcio; Felipe Barros; Fernando Augusto; Flávia Duzzo; Flávia Metzler; Franceis; Francelino Mesquita; Gabriel Centurion; Helena Pessoa; Jair Junior; João Moura;
Jocatos; Juliana Notari; Leandro Pereira; Leonardo Fanzelau; Lilian Santos Gomes; Luciana Lemos; Mara Schimpf; Maringelli; Nando Lima;
Nara Amelia; P. Campinho de Carvalho; Paula Ordonhes; Rafael Campos Rocha; Renan Araujo; Renata Cruz; Ricardo E. Machado; Ricardo Macêdo; Rita Gil; Rodrigo Carvalho; Rodrigo Freitas; Ulysses Bôscolo; Vitor Butkus; Zerenato Bergo.

O grande vencedor do Salão foi o artista plástico Rodrigo de Freitas, do Município de Franca (SP), que recebeu o prêmio no valor de R$ 9.000,00, com as obras de título “Livro dos Medos”. O prêmio especial “Graça Landeira“, no valor de R$ 4.000,00, foi conferido à artista paraense Luciana Lemos com a obra “Coleção”. Os prêmios aquisitivos , distribuídos no valor total de R$ 4.000,00, foram ofertados aos artistas Ricardo Macedo (PA), Nara Amélia (RS), Nando Lima (PA), Vitor Butkus (RS) e Rita Gil (RS).

O salão apresenta uma grande diversidade de estilos na concepção e criação artística, são composições em pinturas que passeiam no expressionismo abstrato, com cores fortes, quentes e vivazes, e formas quase que irreconhecíveis , senão fossem os nomes nas plaquinhas de identificação para nos dá uma pista.

Serviço:
* O que: 15º Salão Unama de Pequenos Formatos
* Onde: Galeria de Arte Graça Landeira - Universidade da Amazônia -UNAMA (av. Alcindo Cacela, 287 - Umarizal, Belém, PA)
* Quando: até o dia 30 de maio, de 8h às 12 e de 14 às 18h
* Quanto: entrada livre

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Cursos de cenografia, teatro e dança, em Belém do Pará.




Estão abertas as inscrições para os cursos de cenografia, dança e teatro, para exercício a partir do ano de 2009. As inscrições devem ser feitas na Escola de Teatro e Dança da UFPA - ETDFUPA, localizada na rua Jerônimo Pimentel esquina com Dom Romualdo de Seixa, no período de 05 a 29 de janeiro de 2009. Será cobrada uma taxa de R$ 30,00 (valor único).
Participe é uma grande oportunidade para os profissionais que querem se aperfeiçoar e aprender mais sobre as artes cênicas.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

ESPETÁCULO: "A BIBLIOTECA MABU"













Descrição do processo de construção e confecção do cenário e figurino do espetáculo BIBLIOTECA MABÚ
Cenário:


1. Material:
a) Metalon 30x50mm -6m;
b) Papelão de espessuras variadas;
c) Porcas borboletas;
d) Bagum;
e) Tinta.
2. Construção:
O cenário terá uma base estrutural de 06 (seis) painéis giratórios de 03m x 1,50m cada um, construídos em metalon, todos encaixados, tendo como medida padrão 1,50m;
Os painéis giratórios serão revestidos com bagum branco nas duas faces e pintados com motivos pertinentes à dramaturgia do espetáculo;
A estrutura de metalon com os painéis giratórios será revestida nas laterais com papelão com formato barroco e acabamentos com jornal e demais tipos de papel que se aplicar ao acabamento, enfocando a questão da reciclagem de papel;
3. Serão construídos ainda um púlpito, uma escrivaninha e uma cadeira com a estrutura de metalon e revestidos com papelão e demais tipos de papel que se aplicar aos acabamentos todos com motivos barrocos, seguindo o mesmo estilo da estrutura dos suportes dos painéis giratórios .
4. Teremos ainda seis pilhas de livros medindo 1,00mx1,20mx40cm, construídos com papelão, sendo que duas dessas pilhas possuem estruturas de metalon por dentro para que o ator use-as como cadeira ou sugira algum tipo de brincadeira com eles.
Figurino:
1. Material:
a) Algodão cru;
b) Tecido Jacá para sofá;
c) Verniz;
d) Cola branca;
e) Linha de poliéster ou nylon;
f) Papelão;
g) Jornais;
h) Revistas;
i) Filtro de café usado;
j) Bobinas de papel;
k) Tintol;
l) Chapéu de palha;
m) Cola de tecido;
n) Agulha de mão grossa;
o) Tampas e garrafas pet’s;
p) Curvim vermelho;
q) Arame.
2. Confecção:


O figurino será confeccionado de acordo com os desenhos já elaborados e anexos a esse documento. Terá na sua maior parte uma base de algodão cru grosso, onde serão colocados papel de revista, livro velhos e jornais com cola branca e dado o acabamento com uma camada fina de verniz. Após serão imprimidas texturas e cores de acordo com os motivos cromáticos já estabelecidos nos desenhos;
Será confeccionada uma bengala, um roc-roc, uma bolsa tira-colo, e dois livros cênicos como adereços dos personagens;
Também serão utilizados na confecção e acabamentos dos figurinos e adereços materiais recicláveis como tampas e garrafas pet’s e demais materiais que sejam enquadrados dentro desta proposta de reciclagem, sendo que a predominância será dada à reciclagem de papel por dialogar com a dramaturgia e enredo do espetáculo.
Obs: Cenário e figurino levam uma proposta politicamente e ecologicamente correta, pois na construção e confecção dos mesmos teremos serão utilizados uma grande quantidade de materiais recicláveis como papel e garrafas pet’s.

Carlos Henrique, cenógrafo

quinta-feira, 24 de julho de 2008

TEATRO POBRE???!!!







Ensaio sobre JERZY GROTOWSKI
Jerzy Grotowski (Famoso diretor de teatro polaco ) 1933 – 1999




Jerzy Grotowski (Rzeszów, 11 de agosto de 1933 — Pontedera, 14 de janeiro de 1999) foi um diretor de teatro polonês e figura central no teatro do século XX, principalmente no teatro experimental ou de vanguarda.
Seu trabalho mais conhecido em português é "Em Busca de um Teatro Pobre", onde postula um teatro praticamente sem vestimentas, baseado no trabalho psicofísico do ator. A melhor tradução de "teatro pobre" seria teatro santo ou teatro ritual. Nele Grotowski leva as últimas conseqüências as ações físicas elaboradas por Constantin Stanislavski, buscando um teatro mais ritualístico, para poucas pessoas. Um dos seus assistentes e responsável pela divulgação e publicação de seus trabalhos é o hoje famoso teatrólogo Eugenio Barba.
Famoso diretor de teatro polaco nascido em Rzeszów, sudeste da Polônia, inovador do teatro do século XX e cujas idéias deixaram marcas profundas nos movimentos de renovação teatral em várias partes do mundo, inclusive nos Estados Unidos. Graduou-se na escola dramática estatal de Cracóvia (1951-1955) e, em seguida, foi estudar direção no Instituto de Artes Dramáticas Lunacharsky, o GITIS, em Moscou (1955-1956), onde aprendeu técnicas de atuação e direção com grandes nomes do teatro soviético como Stanislavsky, Vakhtangov, Meyerhold e Tairov. De volta à Polônia, continuou estudando direção e debutou (1957) no Stary Teatr, em Cracóvia, colaborando com Aleksandra Mianowska, na produção de Eugene Ionesco, As cadeiras. No ano seguinte (1958) dirigiu uma produção workshop de Prospero Mérimée, O diabo feito uma mulher. Depois de dirigir Bogowie deiszkzu, de Jerzy Krzyszton, no Teatr Kameralny, e Uncle Vanya, de Anton Chekhov, no Stary Teatr, ambos em Cracóvia, passou a fazer parte do Teatro Laboratório, fundado nesse mesmo ano (1959), em Opole. Defendendo uma teoria teatral que ele mesmo definiu em seus escritos como teatro pobre, o diretor polonês propôs maior participação do público, idéia aplicada em suas primeiras montagens. Dirigiu textos clássicos, como Fausto (1963), Hamlet (1964) e O príncipe constante (1965), de Calderón de la Barca e fundou em Varsóvia o Teatro Laboratório Polonês (1965), grupo que dirigiu em várias produções de sucesso na Europa e apresentou-se pela primeira vez em Nova York (1969) com grande sucesso. Foi nomeado Full Professor da Ecole Supérieure d'Art Dramatique in Marseille (1971). Dirigiu outras peças nos Estados Unidos e fundou a American Institution for Research and Studies into the Oeuvre of Jerzy Grotowski, com o objetivo de popularizar suas idéias inovadoras nos USA. Regressou à Polônia (1980) onde montou O teatro das origens, produção de fundo antropológico com a qual se apresentou em diversos países. Mudou-se para os EEUU (1982) onde foi professor na Columbia University, em New York, e depois professor na University of California (1983). Fixou-se em Cracóvia (1984), mas pouco depois mudou-se para Pontedera, Itália (1985), onde morreu. Ganhou várias homenagens internacionais e nacionais na Polônia, foi Doutor Honorário das Universidades de Pittsburgh (1973), de Chicago (1985) e de Cracóvia (1991) e nomeado Professor do College de France (1997).

Os primeiros anos

Grotowski nasceu em Rzeszów Polônia e viveu até a idade de seis anos em Przemyśl. Durante a Segunda Guerra Mundial a família se separa. Sua mãe muda-se com ele para Nienadówka. Seu pai serviu como oficial no exército polonês indo para a Inglaterra. Grotowski, sua mãe e seu irmão conseguiram fugir dos nazistas e se refugiaram numa fazenda de seu tio. Este era arcebispo em Cracóvia e foi nesta época que Grotowski despertou para a vida espiritual que orientaria toda sua vida artística. O trabalho de Grotowski no teatro se torna uma espécie de busca espiritual, uma confrontação entre o homem e a mitologia. É central em seus escritos e em sua prática a figura do ator "santo".
Em 1955 Grotowski se formou em interpretação na escola técnica de teatro de Kracóvia. Logo depois ele vai para Moscou para estudar direção no (GITIS) Instituto Lunacharsky de Artes Teatrais. Ele fica em Moscou até 1956, aprendendo os caminhos trilhados pelos grandes artistas russos como Stanislavski, Vakhtangov, Meyerhold e Tairov. Depois ele retorna a Polônia e se especializa em direção, se formando em (1956–1960).

Montagens (1957-1969)

Em 1958 ele dirigiu sua primeira peça "Deuses da Chuva" adaptada de um romance de Jerzy Krzyszton. Anunciando a notoriedade que ele teria, esta foi uma montagem que causou muita controversia pela forma que ele adaptou o texto. Grotowski anunciava, "Em respeito ao minha atitude com o texto dramático, eu penso que o diretor deve tratá-lo apenas como um tema em cima do qual ele constrói um novo trabalho artístico que é o espetáculo teatral " (em R. Konieczna, "Przed premiera 'Pechowcow'. Rozmowa z rezyserem" / "Antes da estréia de 'O Infeliz' - Uma conversa com o diretor"). Esta abordagem ele iria incorporar em toda sua carreira, influenciando muitos artistas que o sucederam. Ainda no mesmo ano Grotowski mudou-se para Opole onde ele assumiu a direção do Teatro das 13 Fileiras. Local onde ele organizou um conjunto de atores e colaboradores artísticos que iriam ajudá-lo no desenvolvimento de sua visão artística.

Entre as muitas produções as mais famosas foram "Orfeu" de Jean Cocteau, "Shakuntala" inspirado no texto de Kalidasa, "Dziady" de Adam Mickiewicz e "Akropolis" de Stanislaw Wyspianski. Esta última foi a primeira realização completa de sua formulação de 'teatro pobre'. Nela a companhia de atores, representando prisioneiros de um campo de concentração, construíam a estrutura de um crematório em volta da platéia, enquanto representavam histórias da bíblia. Esta concepção teve particular ressonância para o público de Opole, já que o campo de concentração de Auschwitz se localiza apenas a cerca de cem quilômetros de distância. "Akropolis" foi uma peça que chamou muito a atenção e praticamente o lançou internacionalmente.

Em 1964 ele deu seqüência a seu sucesso com a estréia de "A Trágica História de Doutor Faustus" adaptada de um importante autor do teatro elizabetano Christopher Marlowe. Além do uso de poucos objetos na cena, Grotowski orientou os atores a representarem diferentes objetos. Numa cena, onde o papa está presente num jantar, um ator representava a sua cadeira e outro a comida. Estes dois atores também assumiam o papel de Mephistopheles em outra parte da peça, demonstrando o caminho que Grotowski desenvolveu colocando diferentes camadas de significados em suas produções.

Em 1965 ele muda sua companhia para Wrocław com o novo nome de "Teatr Laboratorium" (Teatro Laboratório), em parte para evitar a pesada censura a que os teatros profissionais tinham que se submeter na Polônia daquele tempo.

"O Príncipe Constante " foi sua primeira grande encenação, em 1967, considerada uma das mais importantes encenações do século XX, com descrição detalhada em seu livro "Em Busca...". A interpretação de Ryzsard Cieslak's, no papel título, é considerada o melhor exemplo da técnica de interpretação buscada por Grotowski's. Em fase posterior Grotowski assume um estilo parateatral, explorando o significado do ritual e da performance fora do contexto da obra de arte.

1969 viu a última produção profissional de Grotowski como diretor. "Apocalypsis Cum Figuris" é também mundialmente reconhecida como uma da melhores produçõoes teatrais do século XX. Novamente utilizando textos da biblia, esta produção é reconhecida pelos membros da companhia como uma exemplo típico da interpretação total por ele almejada. Durante o processo de ensaio, que durou três anos, Grotowski abandona as convenções do teatro tradicional e se envereda pelos caminhos de investigação do ritual.

Grotowski revolucionou o teatro e, junto com seu primeiro aprendiz, Eugenio Barba, líder e fundador do Odin Teatret e mentor do teatro antropológico, é considerado um dos mentores do teatro contemporâneo e de vanguarda. Barba foi fundamental na divulgação do trabalho de Grotowski ao mundo no ocidente, rompendo a barreira da burocracia comunista. Barba é editor de Em busca de um Teatro Pobre (1968), no qual Grotowski afirma que o teatro não deveria, porque não poderia, competir contra o espetáculo cinematográfico e deveria se concentrar em sua principal qualidade, os atores que se apresentam a frente dos espectadores.

Fundamentos de um teatro pobre

Em seu livro podem ser encontrados os dez princípios dos estudantes de seu teatro laboratório. Grotowski escreveu este texto para uso interno. Abaixo alguns trechos:
"(...) fazemos um jogo duplo de intelecto e instinto, pensamento e emoção; tentamos dividir-nos artificialmente em corpo e alma. (...) Em nossa busca de liberação atingimos o caos biológico."
" A arte não é um estado da alma (no sentido de algum momento extraordinário e imprevisível de inspiração), nem um estado do homem (no sentido de uma profissão ou função social). A arte é um amadurecimento, uma evolução, uma ascenção que nos torna capazes de emergir da escuridão para uma luz fantástica "
" como o material do ator é o próprio corpo, esse deve ser treinado para obedecer, para ser flexível, para responder passivamente aos impulsos psíquicos, como se não existisse no momento da criação - não oferecendo resistência alguma. A espontaneidade e a disciplina são os aspectos básicos do trabalho do ator, e exigem uma chave metódica "

O "teatro pobre" de Grotowski

Segundo Grotowski, o fundamental no teatro é o trabalho com a platéia, não os cenários e os figurinos, iluminação, etc. Estas são apenas armadilhas, se elas podem ajudar a experiência teatral são desnecessárias ao significado central que o teatro pode gerar.
O pobre em seu teatro significa eliminar tudo que é desnecessário, deixando um ator ou atriz vunerável e sem qualquer artifício. Na Polônia, seus espetáculos eram representados num espaço pequeno, com as paredes pintadas de preto, com atores apenas com vestimentas simples, muitas das vezes toda em preto.
Seu processo de ensaio desenvolvia exercícios que levavam ao pleno controle de seus corpos para desenvolver um espetáculo que não deveria ter nada supérfluo, também sem luzes e efeitos de som, contrariando o cenário tradicional, sem uma área delimitada para a representação.
A relação com os espectadores pretendia-se direta, no terreno da pura percepção e da comunhão. Se desafia assim a noção de que o teatro seria uma síntese de todas as artes, a literatura, a escultura, pintura, iluminação, etc...

Grotowsky no Brasil

O crítico carioca Yan Michalski descreve, na apresentação brasileira da terceira edição de "Em Busca de um Teatro Pobre", a passagem do diretor polonês no país em 1974. Afirma Michalski que, em todas as conversas e pronunciamentos naquela época, Grotowski insinuou que a parte teatral daquele livro não mais o interessava, e não representava seu pensamento, que ele pessoalmente não estava mais interessado em teatro. Que em seu novo livro "Dia Santo", publicado naquela época, não tratava mais de teatro mas sim de encontros, reuniões de pequenos grupos de pessoas que conviveriam durante alguns dias, dedicando-se apenas a exercícios não verbais, em busca de uma forma privilegiada de contato não verbal, desenvolvendo suas capacidades espirituais e meditações. As técnicas teatrais eram usadas nesses encontro apenas para desencadear energias no plano espiritual. Mesmo assim Michalski revalidava a importância do livro pelas colocações teórico-práticas de formação do ator.
Carlos Henrique, cenógrafo

quinta-feira, 10 de julho de 2008

ENSAIO SOBRE FIGURINO PARAENSE


FIGURINO
Segundo o dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, figurino: “1.Figura que representa o traje da moda. 2. Revistas de modas.”

São pouquíssimos os trabalhos publicados no Brasil a respeito de figurino no teatro. Imaginem, que é coisa raríssima encontrarmos algum estudo sistematizado sobre o assunto por esses rincões nortistas, apesar de termos em passado não tão remoto em nosso solo grandes companhias de dança, teatro e espetáculos fabulosos com figurinos riquíssimos que não deixaram nenhum um rastro, digo registro, de que por aqui passaram, ou se existem estão bem escondidos, a salvo dos olhares de curiosos e estudiosos do assunto, em algum porão de teatro sendo comido pelas traças.